
(por Marcos Poli)
”Não há guardas na prisão, só os prisioneiros e o mundo que eles criaram. As regras são simples: uma vez lá dentro, não se sai mais.
”Hoje em dia, por mais que tenhamos uma melhor tecnologia em diversos aspectos cinematográficos, é difícil superar a ”fanfarronice” dos filmes dos anos 80. Todas aquelas máquinas com visores coloridos, sons e vozes características, os radares de avião com mapas tridimensionais que parecem saídos de um jogo de Atari, tudo isso, até hoje, soa tão fantástico e tão engenhoso que, mesmo na era do ‘’smart’’, esses filmes conseguem nos divertir. Um bom exemplo dessa diversão é o futurista ‘’Fuga de Nova York’’, onde a grande metrópole que dá nome ao título é a única, e muito bem murada, prisão de segurança máxima do país.
Dirigido pelo icônico John Carpenter (Eles Vivem, O Enigma de Outro Mundo), a premissa é simples. Um avião (onde se encontra ninguém menos que o presidente dos EUA) é sequestrado por militantes políticos e atirado dentro da cidade-prisão. Antes de a aeronave chocar-se com o solo, o presidente (Donald Pleasence) é colocado em uma cápsula protetora e recebe uma ”pulseira” que, acompanhando seu batimento cardíaco, indica a sua posição exata para auxiliar em um futuro resgate (basicamente um GPS humano). O exército entra na cidade para salvá-lo, mas é obrigado a bater retirada, pois o presidente já está na mão de criminosos que ameaçam mata-lo. Não resta alternativa para o comissário de polícia Bob Hauk (Lee Van Cleef), a não ser chamar o único homem disponível e sem o direito de dizer não, o ex-militar recém-condenado Snake Plissken (Kurt Russell).
Indiferente ao que acontece ao seu redor, Plissken, com suas botas, regata preta, calça camuflada e um cigarro no canto da boca, têm 22 horas para tirar o presidente de dentro da cidade prisão. Caso o tempo se esgote, um dispositivo implantado em seu corpo irá explodir.
O visual excêntrico dos filmes dos anos 80 é estampado em todo o cenário, desde o vilão Duque (Isaac Hayes) e seus lacaios (devidamente vestidos lembrando um rei e sua plebe miserável), ao próprio Snake, com suas roupas e caminhada características, sem esquecer também da trilha sonora, típica do gênero. Tudo isso torna o filme um clássico da década, mas, não o proíbe de ser atemporal. Não é por menos que o filme seja cultuado até hoje.
O interessante é que, por mais que haja esse ”visual” underground, não há muitas tatuagens no filme, apenas uma e, diga-se de passagem, só ela já é o suficiente. Nosso herói, Snake Plissken, tem sua regata arrancada e é enviado a uma luta de vida ou morte, fazendo jus ao seu nome quando conhecemos sua tatuagem. Esse desenho pode ser considerado uma das tattoos mais irreverentes da história do cinema.
Muita fanfarronice, boas cenas de ação e, um herói canastrão, fizeram de Fuga de Nova York a dica da semana do Cine Riscado. Boa sessão!!!
Trailer do filme: