
(por Marcos Poli)
No Cine Riscado dessa semana falaremos de um dos filmes mais interessantes do início da década de 90, o suspense Cabo do Medo. Refilmagem de Círculo do Medo, de 1962, filme é dirigido por Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street), sendo a sua sétima parceria com o ator Robert De Niro (Ajuste de Contas). Dessa união já surgiram enormes sucessos como Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980), Os Bons Companheiros (1990) e Cassino (1995), resultando também em inúmeros prêmios para ambos.
Em Cabo do Medo, De Niro interpreta Max Cady, figura garantida em qualquer lista dos melhores vilões da história do cinema. O ator rouba novamente a cena com sua atuação, como já é de costume. Aqui, seu vilão é extremamente caracterizado, desde o sotaque até os trejeitos.
Conseguindo equilibrar, sem sair do tom, alguns momentos de puro sadismo e/ou fanatismo religioso com outros de total equilíbrio e naturalidade. Por mais que tudo isso soe exagerado e demasiadamente forçado em alguns momentos, Scorsese conduz o filme de maneira que aquilo pareça normal. Afinal, tudo no filme carrega um pouco de exagero, desde a trilha sonora marcante até as habilidades sobre-humanas de Cady.
As famosas tatuagens do vilão são uma atração à parte. De um enorme crucifixo nas costas à frases de vingança e justiça retiradas de versículos da bíblia, seus desenhos estão entre os mais interessantes já vistos no cinema.
Já a trama do filme, apesar de básica, agrada aos fãs de um bom suspense. Após 14 anos, Cady sai da prisão e só pensa em uma coisa: vingança. Seu alvo é Sam Bowden (Nick Nolte), seu defensor no caso que o levou à prisão. Com a chegada de Cady na pacata cidade de New Essex, Sam passa a ser perseguido de forma astuta por Cady, pois, o maníaco estudou direito na prisão e duela de igual pra igual com ele, no que se trata de conhecer as leis e os limites que ela impõe. Com o passar do tempo, os outros membros da família Bowden, a esposa Leigh (Jessica Lange) e a filha Danielle (Julitte Lewis), passam também a viver sob pressão e, com um assassino esperto e audacioso como Cady à espreita, todo cuidado parece ser pouco.
Após duas horas de extrema tensão, chegamos à um final sensacional. Filmado em um barco durante uma forte tempestade, rola uma tortura psicológica angustiante, com direito à discursos gerados pelo ódio cego e visceral de Cady e, muita violência, onde temos as melhores e mais eletrizantes cenas do filme.
Outra cena, não tão importante, mas, que deve interessar nossos leitores riscados: Sam acusa Cady de ter envenenado seu cachorro e, na acareação, o suspeito é obrigado a tirar a camiseta. Nessa cena, vemos todas suas tatuagens mais de perto, desde as incisivas frases de vingança e justiça até o conhecido coração partido tatuado no peito. Ao observá-lo por alguns segundos, o delegado, interpretado pelo irônico Robert Mitchum, diz uma frase comum entre os que torcem o nariz para a nossa arte: ”Não sei se olho para ele ou leio.”
Bom elenco, filme dinâmico e tatuagens que se tornaram clássicas. Cabo do Medo é mais um filme que o Cine Riscado recomenda! Bom cinema!
Trailer do filme: