
(resenha por Marcos Poli)
É difícil não entregar o jogo ao falar de um filme em que a cada cena temos uma revelação importante e, mesmo já sabendo o final, queremos entender o começo de tudo. Mas, tentarei. Amnésia, do aclamado diretor Christopher Nolan (trilogia Batman, A Origem), é nossa indicação da semana. Com uma história simples, porém inteligente e perspicaz, o filme, em seu lançamento, ganhou ares (merecidamente) de obra-prima.
Baseado em um conto escrito pelo irmão do diretor, conhecemos a história de Leonard Shelby (Guy Pearce), um investigador de seguradoras que, após perder sua mulher num terrível e traumatizante assassinato, perde também a memória recente. Ele lembra-se de tudo antes do trauma, mas se esquece rapidamente do que acontece no presente. Partindo dessa premissa, o filme inicia-se do fim da história. Isso mesmo, nós vemos Leonard matar Teddy (Joe Pantoliano) na primeira cena e, passamos a ver o mundo conforme o personagem central. Sabemos o que acontecerá a seguir, mas desconhecemos o que ocorreu no instante anterior, pois cada cena se inicia (muita atenção) com o final da cena seguinte. Essa doença é real, chama-se ”amnésia anterógrada” e a edição do filme faz o espectador sentir na pele a confusão mental que ela trás, nos tornando também incapazes de criar novas memórias. Não que o filme seja complexo demais, o roteiro é complicado sim, mas, com um olhar mais atento, tudo se resolve e você passa a entender quase todos os detalhes já na primeira conferida.
Leonard deseja vingança. Ele quer, acima de qualquer coisa, encontrar e matar quem estuprou e assassinou sua amada esposa. Como sua memória não é um aliado confiável, ele utiliza-se de táticas interessantes para guardar dados e notas imprescindíveis para sua investigação. Em alguns casos, ele registra com sua Polaroid e, em outros, ele tatua suas anotações pelo corpo. Porém, mesmo com essas precauções, ele é uma presa fácil e, em vários momentos torna-se vítima de sua própria condição, como na cômica cena em que ele se vê correndo paralelamente à um sujeito armado, não conseguindo recordar se está perseguindo ou sendo perseguido.
Durante algumas sequências em preto-e-branco, Leonard conversa com um estranho ao telefone. Ali, ele conta uma história interessante sobre um caso que ele investigara antes de tudo aquilo, quando um tal de Sammy Jankis parecia não lembrar-se de coisas recentes, assim como Leonard. O seguro, desconfiado, mandara nosso herói para constatar o que era verdade e o que era farsa, parece coincidência?
No decorrer da trama, Leonard une-se à uma misteriosa mulher, Natalie (Carrie-Anne Moss) e, em alguns momentos, ao próprio Teddy, recebendo informações e dicas que nos levam à crer que nosso herói está próximo de uma revelação sobre o assassino. Porém, nesse jogo intrigante, tudo muda rapidamente. O que agora é verdade, na próxima cena, descobrimos se tratar de uma mentira, o que era amigo, torna-se inimigo e vice-versa. Todo esse fator surpresa é o grande trunfo da narrativa, fazendo de Amnésia um filme obrigatório para os fãs de cinema. Já as tattoos… elas são super importantes na história, afinal, seus desenhos são um aliado forte e confiável de Leonard em sua busca por justiça.
Para quem gosta de filmes inteligentes e histórias bem elaboradas, essa é a dica do Cine Riscado dessa semana. Bom filme!
Trailer: