Divergente (2014)

(por Marcos Poli)
No dicionário, o verbo divergir tem cerca de quatro significados, dentre eles, estão: desviar-se, discrepar, discordar e não se harmonizar. Daí surge o adjetivo ”divergente”, cujo uso se dá, obviamente, em substantivos que não se enquadram em determinado padrão ou se desviam do mesmo. A história de Divergente, filme baseado no best-seller de mesmo título, gira em torno desse princípio.

Em um mundo pós-apocalíptico, o que sobrou do sociedade foi dividido em cinco facções: Erudição, Franqueza, Audácia, Amizade e Abnegação. Cada uma delas representa um valor diferente, como coragem, altruísmo, honestidade, entre outros. Há também os chamados ”sem-facção”, pessoas que andam sem rumo e sem lar, talvez por terem sido expulsas de alguma facção ou por terem desistido de seu desígnio.

Partindo dessa premissa, conhecemos Beatrice (Shailene Woodley), uma jovem membro da Abnegação que, prestes à atingir a idade adulta, precisa passar por uma espécie de teste de aptidão. O resultado desse teste lhe dirá a que facção ela realmente pertence e/ou se enquadra mais, porém, cabe a ela a livre escolha do que seguir. (Fato que sugere um estado de total democracia, mas, não se enganem com isso.) O resultado do teste de Beatrice é inconclusivo e, ela ouve, pela primeira vez, o termo ”Divergente”. As pessoas classificadas como ”divergentes” são as que teoricamente não passam no teste, diferindo das demais por não se enquadrarem em apenas uma aptidão, mas sim, em todas. Fato que as torna extremamente perigosas ao olhos do ”sistema”, que por incrível que pareça, aqui não é representado pelo governo (Abnegação) e, sim, pela líder dos chamados inteligentes (Erudição), Jeanine (Kate Winslet).

Sabendo do risco que corre, Beatrice mantém sua posição em sigilo e numa difícil escolha entre continuar com sua família ou seguir em frente, ela escolhe abandonar tudo e fazer parte da Audácia. Todo esse processo é muito interessante e, em meio à seu auto-descobrimento (em sua facção de origem é proibido pensar em si mesmo), testes psicológicos e o treinamento pesado a que é submetida, temos uma boa dose de adrenalina e análise social, onde ela, além de superar seus medos e limitações, precisa esconder seu segredo para manter-se viva. O filme explica muito bem a atmosfera do livro e segue um bom ritmo até seus momentos finais, quando acelera demais e finaliza com certo desmerecimento ao bom clima de aventura criado, dando resoluções simples e ação não tão convincente como desfecho.

Trago-lhes esse filme no Cine Riscado dessa semana visando comparar nossa sociedade atual à esse estado de falsa democracia futurista que o filme trás à tona. Nós, como tatuados, tatuadores ou simples amantes da arte, sabemos como é ser DIVERGENTE do padrão, sentimos na pele (desculpem o trocadilho) os olhares de reprovação e uma certa ”caça às bruxas” que era feita até poucos anos atrás e, pode ser vista em ação ainda nos dias de hoje, quando, mesmo com ficha criminal limpa, não podemos prestar determinado concurso público ou temos que explicar toda a ”história” da nossa pele à um membro da polícia militar.

A Audácia, facção escolhida por Tris (ao adentrar na facção deve-se escolher um novo nome), representa toda a coragem e vitalidade de jovens que desejam e gostam de adrenalina e, seguindo esse sistema de facções, são designados à usar isso em favorecimento da proteção coletiva. No filme, seus membros mais antigos são reconhecidos por suas tatuagens, sendo na maioria tribais espalhados pelo corpo. Porém, algumas tatuagens, como as do enigmático Quatro (Theo James) são interessantes, tanto do ponto de vista artístico quanto para o decorrer da história. Foi justamente essa analogia social similar com a nossa cultura e toda essa pequena (porém interessante) ligação da trama com a tattoo que me fizeram escrever sobre Divergente essa semana. Não esperem nenhuma obra de arte, mas, assistam sem medo, é um filme que consegue ser divertido e trazer uma certa reflexão à tona ao mesmo tempo. Logicamente, o longa tem os seus defeitos, mas, creio que os mesmos serão superados nas prováveis continuações (sim, o filme deixa isso claro).
Amigos riscados, não percam, o filme ainda está em cartaz.

Trailer do filme:

 

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Feito por Lifestyle Tattoo. Todos os direitos reservados.

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