
(por Marcos Poli)
Em um determinado momento do filme alguém faz uma pergunta ao protagonista: ”Você tem medo?”. O jovem responde: ”De ser morto? Não, eu vivo cada dia. O que me preocupa é não saber onde nem que horas eles vão me matar.” Nesse clima hostil conhecemos La Mara Salvatrucha, conhecida como uma das gangues mais violentas e, por consequência, mais temidas do mundo.
Pelas mãos do diretor Cary Fukunaga (Jane Eyre), observamos de perto seus métodos e preceitos em uma viagem interessante pela América Central e suas miseráveis condições, mostrando toda uma ânsia por liberdade oriunda de um povo que é sofrido por natureza.
Casper (Edgar Flores) é um membro da gangue e, é por meio dele que conhecemos todos os detalhes que precisamos saber para também temê-la: desde o seu batismo, onde os novos membros são espancados por 13 segundos, até a sua ferrenha política de tatuagens, onde só se ganha um desenho, ao matar um rival. Casper apresenta Smiley (Kristyan Ferrer), um garoto com não mais de 12 anos que, contra a vontade de uma avó muito cansada para contê-lo, deseja fazer parte daquela nova ”família” que lhe é apresentada.
A política dentro da gangue é muito restrita e, normalmente, a punição é severa. Quando Casper e Smiley recebem uma missão e cometem uma falha grave, são obrigados a seguirem em uma viagem duvidosa ao lado de seu violento e imprevisível líder.
Em paralelo com essa história de violência, temos um misto de miséria e esperança na vida de Sayra (Paulina Gaitan), uma jovem Hondurenha que, contra sua vontade, embarca numa viagem incerta com o pai e o tio rumo aos Estados Unidos, seguindo pendurada ilegalmente em trens cargueiros. Após dias de viagem atravessando diversos países, o destino liga seu caminho com o do jovem criminoso. Na mesma estação onde Sayra e sua família esperam um trem, Casper e seus companheiros aparecem e, em um momento de extrema tensão, seu altruísmo fala mais alto e ele comete um erro fatal.
Sayra sensibiliza-se e, mesmo contra a vontade do jovem, acompanha Casper numa aventura que pode ser interpretada como uma corrida pela vida ou uma simples busca pela tão sonhada liberdade que só os norte-americanos parecem conhecer. Sem Nome é um filme muito interessante, pois foge um pouco da violência exagerada que permeia os filmes de gangues e, ao observar o interior dos seres humanos, busca focar mais nos sentimentos e anseios dos jovens do que apenas na violência explícita. Ao fim, retrata com fidelidade a miséria da América Central e nos apresenta com veracidade o universo particular dessa terrível gangue, La Mara Salvatrucha. Confiram, vale a pena!
Trailer do filme: